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Histórico da Fonoaudiologia no Brasil

  • Foto do escritor: FonoClub de Revista
    FonoClub de Revista
  • 2 de fev. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de fev. de 2019


RESENHA ESCRITA PELO FONOCLUB DE REVISTA


Localização do Artigo: Rev Med Minas Gerais 2011; 21(2): 238-244


Título do Artigo: Histórico da Fonoaudiologia: relato de alguns estados brasileiros


Autores:

Poliane Cristina de Lima Aarão, Fernanda Caroline Braga Pereira, Karoline Lopes Seixas, Hildinéia Graças Silva, Fernanda Rodrigues Campos, Amanda Pereira Nunes Tavares, Ana Cristina Côrtes Gama, Stela Maris Aguiar Lemos.

Objetivo Geral: Realizar uma revisão da literatura nacional sobre a história da Fonoaudiologia.

Nesse artigo, estudantes de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (2011) documentaram a história da fonoaudiologia a partir da consulta a banco dados e entrevistas aos profissionais da área, com o intuito de facilitar o acesso às informações sobre a evolução da fonoaudiologia no Brasil.

Esse artigo faz um interessante cruzamento de informações sobre o momento político que o país atravessava e a evolução da profissão como ciência reconhecida. E fica claro que a fonoaudiológia, antes chamada de logopedia, surgiu de uma necessidade associada à educação, especificamente a processos envolvendo a linguagem falada e escrita e sua percepção seja visual ou auditiva. Essa necessidade foi concretizada com o desenvolvimento industrial, século XIX, e a constatação de que a educação era essencial para a promoção de mudanças sociais (BACHA e OSORIO, 2004).

A FONOAUDIOLOGIA era voltada a área educacional no que tange a linguagem. Inicialmente praticada por professores especializados e influenciados pela visão da medicina do qual tinha como objetivo identificar doenças, desvios, patologias na linguagem e o desenvolvimento de métodos terapêuticos que partiam da segregação da sociedade dos indivíduos considerados “doentes” /deficientes (JANNUZZI, 1992) e posteriormente da psicologia e o desenvolvimento das práticas psicopedagógicas.

A fonoaudiologia no passado encontrava-se associada às práticas exclusivamente técnicas por se tratar, inicialmente, de um curso de curta duração. Como tal, o terapeuta da fala encontrava-se dependente da supervisão de outros profissionais. O processo de reconhecimento da profissão enfrentou inúmeros obstáculos vencidos com sua regulamentação em 1981.

Principais eventos Históricos mencionados no artigo:


O Primeiro marco da fonoaudiologia no Brasil data da época do império, quando foi criado o Imperial Colégio de meninos cegos, hoje chamado de Instituto Benjamin Constant. Também foi criado o colégio Nacional para crianças com deficiência auditiva. Em 1857 foi reconhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

Colombat criou o termo ortofonia e o introduziu na primeira publicação (o Tratado de Ortofonia). Abordando temas como: o estudo da fonação, voz falada e cantada, gagueira e reeducação de surdos.

O Dr. Augusto Linhares foi um dos precursores da Fonoaudiologia no Brasil e no início do século XX dedicava-se às pesquisas na área de reabilitação da voz e da fala, bem como ministrava aulas em cursos para professores.

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Na década de 30:

Surgiu o Ministério da Educação e da Saúde.

Os profissionais especializados atuavam nas escolas visando profilaxia e correção dos desvios de linguagem e desvios dos escolares (variações dialetais, comuns entre os filhos de imigrantes).

Nesta época, tinham-se duas vertentes: o que tange a doença – patologia de ordem mental com uma visão médica dos transtornos de linguagem e a influência da psicologia determinando o que é patológico e que é normal.

Foi criado o código de Educação do estado de São Paulo. Esse código propunha a criação de classes especiais de Ortofonia e a formação de professores especializados na correção de vícios de linguagem.

Nesta época, foram criadas as escolas ortofônicas destinadas a alunos com perturbações articulatórias, dislalias, balbucio, tartamudeio e gagueira.

Nas décadas de 40 e 50:

Iniciativas concretas de atuação do professor especializado nas perturbações de linguagem.

O perfil técnico do profissional que passava de uma atuação exclusivamente educacional para uma atuação clínica. A partir desse momento há a necessidade da criação do curso de Logopedia ou Terapia da Palavra, voltado para a reabilitação.

Criação do setor de Terapia da Palavra no AFAE, do curso de Logopedia no Hospital São Francisco de Assis e do curso na Sociedade Pestalozzi de caráter essencialmente técnico e baseado na correção de desvios de voz e fala, sob a influência constante da Educação, Psicologia e Medicina.

Nas décadas de 60, 70 e 80:

Início da institucionalização da Fonoaudiologia.

Surgiu o curso de logopedia na Universidade de São Paulo, vinculado à Clínica de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina. O surgiu na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ligado ao Instituto de Psicologia, em 1962.

Foi criada a primeira entidade de classe: Associação Brasileira de Fonoaudiologia. Início da luta pela regulamentação da profissão como curso superior, uma vez que cursos de curta duração caracterizariam a Fonoaudiologia como curso técnico. Neste período, o senador André Franco Montoro propôs o projeto de lei que objetivava organizar e legalizar a profissão.

Em 1978, ocorreu o primeiro Congresso de Fonoaudiologia.

Em 1979, em 1981, foi aprovada a regulamentação da profissão, pelo Deputado Otacílio de Almeida, tendo à frente a Associação Brasileira de Fonoaudiologia (ABF).

Em 09 de dezembro de 1981, a Lei nº 6.965, que regulamenta a profissão de Fonoaudiólogo, foi sancionada pelo então presidente João Figueiredo. Com ela foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia.

Iniciaram as atividades do CFFa (Conselho Federal de Fonoaudiologia) e, no ano seguinte, foi aprovado o primeiro Código de Ética da Fonoaudiologia

O fonoaudiólogo é, então, definido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia como:


O profissional da saúde de atuação autônoma e independente, que exerce suas funções nos setores público e privado. É responsável pela promoção da saúde, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, função vestibular, linguagem oral e escrita, voz, fluência, articulação da fala, sistema miofuncional orofacial, cervical e deglutição. Exerce também atividades de ensino, pesquisa e administrativas (Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2005).


Conclusão:

Muito foi feito pela regulamentação da profissão, as abordagens terapêuticas bem como a qualificação desses profissionais cresce a cada novo evento científico. Novidades surgem em todos os campos do conhecimento no que tange o universo da fonoaudiologia (linguagem, leitura e escrita, audição, motricidade orofacial, voz, fala, deglutição). Entretanto, ainda temos muito o que estudar, produzir e discutir para que essa profissão seja cada vez mais respeitada e valorizada pelos órgãos de saúde do município e do estado, clínicas particulares, equipe multidisciplinar e sociedade geral.

Entretanto... uma coisa é certa... é conhecendo nossa história que construímos um grande futuro.


Se gostou da resenha e gostaria de ler o artigo completo,

acesse o link ARTIGO NA ÍNTEGRA localizado na barra de tarefas do menu principal.


Boa leitura.

Referências:

Aarão PCL, Pereira FCB, Seixas KL, Silva HGS, Campos FR, Tavares APN, Gama ACC, Lemos SMA. Histórico da Fonoaudiologia: relato de alguns estados brasileiros . Rev Med Minas Gerais 2011; 21(2): 238-244

Bacha SMC, Osório AMN. Fonoaudiologia & educação: uma revisão histórica. CEFAC. 2004; 6:215-21.

Conselho Federal de Fonoaudiologia. História da Fonoaudiologia. Brasília: CFF; 2005. [Citado em 2011 maio 20]. Disponível

em: http://www.fonoaudiologia.org.br/.

Links para consulta:

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fonoaudiologia/fonoaudiologia-e-educacao-especial-a-trajetoria-historica/49006



 
 
 

1 comentário


luciana_belo
09 de mar. de 2019

É muito importante conhecermos nossa hitória.

Parabéns às pesquisadoras desse estudo.

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