DEGLUTIÇÃO E ENVELHECIMENTO: Manobras de Deglutição
- FonoClub de Revista

- 12 de fev. de 2019
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Localização do Artigo: REV. BRAS. GERIATR. GERONTOL., 2006; 9(3):89-100
Título do Artigo: DEGLUTIÇÃO E ENVELHECIMENTO: Enfoque nas manobras facilitadoras e posturais utilizadas na reabilitação do paciente disfágico.
Autores: Steenhagen, Claudia Helena V. A.; Branco da Motta, Luciana
Objetivo Geral: Apresentar uma revisão de literatura sobre as manobras utilizadas na reabilitação das disfagias.
Steenhagen & Motta (2006) se propuseram a fazer um levantamento bibliográfico sobre as manobras utilizadas na reabilitação de pacientes disfágicos, entretanto só foram mencionadas três manobras facilitadoras da deglutição (Supra-glótica, super supra-glótica e deglutição com esforço) e quatro manobras posturais (cabeça para baixo, cabeça para cima, cabeça inclinada, rotação de cabeça). O tema dessa revisão foi deglutição e envelhecimento: Enfoque nas manobras facilitadoras e posturais utilizadas na reabilitação do paciente disfágico.
Manobra supra-glótica: Corresponde a uma manobra que visa a proteção das vias aéreas inferiores maximizando o fechamento glótico (fechamento das pregas vocais). (Furkin AM, Silva RG, 1999; Costa e Castro 2003; Donzelli & Brady, 2004).
A manobra super supra-glótica: Corresponde a uma manobra que também tem como objetivo aumentar a proteção das vias aéreas inferiores maximizando o fechamento glótico (fechamento das pregas vocais e pregas ariepiglóticas (Furkin AM, Silva RG, 1999; Costa e Castro 2003; Donzetti & Brady, 2004).
Deglutição com esforço: Essa manobra favorece o aumento da propulsão de língua, favorece a coordenação oral, aumento da resposta faríngea e ganhos na elevação do conjunto hiolaríngeo (Bülow M, Olsson R, Ekberg O, 1999).
Contra-indicações dessas manobras: Pacientes com distúrbios vasculares, insuficiência cardio-respiratória, determinadas sequelas de acidente vascular cerebral, Traumatismo crânioencefálico não podem realizar essas manobras.
Indicação: Casos de câncer de cabeça e pescoço e doenças neurodegenerativas em que não haja o comprometimento cognitivo.
Sabe-se que além dessas manobras temos também: Mendelson e Masako.
Manobra de Mendelson: objetiva maximizar a elevação do conjunto hiolaríngeo e a abertura da transição faringoesofágica durante a deglutição (Furkin AM, Silva RG, 1999).
Manobra de Masako: Essa manobra é interessante para favorecer a contração dos músculos da parede da faringe e elevação do conjunto hiolaríngeo (Furkin AM, Silva RG, 1999).
MANOBRAS POSTURAIS:
Cabeça para baixo (“Chin dowm”): Auxilia as fases: preparatória, oral e faríngea. É indicada em casos de escape prematuro do bolo alimentar, redução do fechamento das pregas vocais e atraso do desencadeamento da deglutição.
Efeito Fisiológico: A manobra promove melhor contato da base da língua com a parede faríngea, favorecendo o contato da epiglote com a parede posterior da faringe, aumentando a proteção das vias aéreas. Auxilia também no fechamento do vestíbulo laríngeo (Logemann, 2000 e Ekberg, 1986)
Chin Tuck: Queixo o mais próximo possível do osso esterno.
Efeito Fisiológico: Trás mudanças nas dimensões da faringe para direcionar o bolo alimentar ao longo da faringe e esôfago.
Observa-se ainda, a aproximação da porção laríngea da faringe compensando o atraso no fechamento glótico durante a deglutição e favorece o contato da base de língua com a parede posterior da faringe (Ayuse et al, 2006; Hori et al, 2011; Terré et al , 2012; Leigh, 2015).
Cabeça para Trás: Auxilia a fase oral.
Efeito Fisiológico: Facilita a ejeção e diminuição do trânsito oral.
Indicação: Mobilidade de língua comprometida.
Contra-indicado: Risco de aspiração antes ou durante a deglutição.
Cabeça Inclinada: Auxilia as fases preparatória, oral e faríngea.
Efeito Fisiológico: Aumento da adução das pregas vocais e direcionmento do bolo alimentar para o lado mais forte utilizando a ação da gravidade.
Indicação: Paralisia ou paresia unilateral da faringe (Logemann, 1993). Associá-la à manobra supra-glótica, antes e durante a deglutição, minimizaria riscos de aspiração. (Logemann, 2000 ; Logemann, 1993)
Rotação de Cabeça: Auxilia a fase faríngea.
Efeito Fisiológico: Proteção das vias aéreas, redução da estase em seios piriformes, facilitação da passagem do bolo da faringe para o esôfago e o direcionamento do bolo para o lado mais forte, fechando o seio piriforme no lado lesionado .
Indicação: Paralisia ou paresia da faringe e pregas vocais e redução da abertura da transição faringo-esofágica
OBS: AS MANOBRAS FACILITADORAS E POSTURAIS NÃO PODEM SER REALIZADAS SEM A SUPERVISÃO E ORIENTAÇÃO DO PROFISSIONAL FONOAUDIÓLOGO E SENDO ASSIM OPTAMOS POR NÃO DESCREVER COMO EXECUTAR AS MANOBRAS.
CONCLUSÃO:
Steenhagen & Motta (2006) com base na revisão de literatura, consideram importante o estudo dinâmico da deglutição, através do exame de videofluoroscopia na população idosa com dificuldade de deglutição, auxiliando a escolha da manobra facilitadora e postural mais eficaz de acordo com o caso clínico, para assim garantir a segurança alimentar.
O Fono Club de Revista acredita ser importante a realização dos exames complementares, entretanto a experiência e olhar clínico devem imperar, principalmente pela dificuldade de acesso aos exames pelo alto valor nas empresas particulares, principalmente pacientes de baixa renda e que dependem do sistema único de saúde.
Concordamos com Silva, Cola e Macedo (2013) quando afirmam que o trabalho terapêutico precisa ser pautado nos aspectos neurofisiológicos da deglutição. Quando falamos sobre AVE (Acidente Vascular Encefálico) especificamente, além da neurofisiologia, devemos levar em conta a melhora espontânea e a neuroplasticidade (Silva, Cola e Macedo. In: Barros, Dedivits, Sant’ana, 2013).
As manobras facilitadoras são consideradas eficazes pela literatura, entretanto nem sempre são viáveis tendo em vista as contraindicações (principalmente em casos de déficit cognitivo). As manobras de cabeça para proteção de vias aéreas inferiores são recursos mais utilizados (Silva, Cola e Macedo. In: Barros, Dedivits, Sant’ana, 2013).
Sendo assim, uma avaliação fonoaudiológica criteriosa com a realização de exames complementares quando possível; planejamento terapêutico coerente com a sintomatologia do paciente disfágico, ancorado ao conhecimento da neurofisiologia e fisiopatologia da deglutição são fundamentais para o sucesso da reabilitação.
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BOA LEITURA!





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