Será que a Eletroestimulação é benéfica para a deglutição de pacientes com Doença de Parkinson?
- FonoClub de Revista

- 8 de mar. de 2019
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Dysphagia (2012) 27:336–345
Neuromuscular Electrical Stimulation Versus Traditional Therapy in Patients with Parkinson’s Disease and Oropharyngeal Dysphagia: Effects on Quality of Life
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NEUROMUSCULAR VERSUS TERAPIA TRADICIONAL EM PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON E DISFAGIA OROFARÍNGEA: EFEITOS NA QUALIDADE DE VIDA
B. J. Heijnen • R. Speyer • L. W. J. Baijens • H. C. A. Bogaardt •
Objetivo Geral: Investigar os efeitos da EENM adjunta ao tratamento tradicional em pacientes disfágicos com doença de Parkinson.
Heijnen , Speyer , Baijens e Bogaardt , 2011, realizaram um ensaio randomizado aberto para avaliar pacientes de diversos hospitais em toda a Holanda, que tinham diagnóstico de doença de Parkinson idiopática e queixas de disfagia. Esses pacientes foram submetidos a: exame clínico padronizado por um laringologista e observação clínica da ingestão oral de várias consistências e volumes de alimentos por um fonoaudiólogo em ambulatório de disfagia do Centro Médico da Universidade de Maastricht. Somente após diagnóstico da presença e gravidade da disfagia orofaríngea os participantes foram admitidos neste estudo.
Esses pesquisadores tinham como hipótese que a estimulação elétrica Neuromuscular contribuiria não apenas para uma melhora significativa da função da deglutição, mas também para um aumento da qualidade de vida desses pacientes.
Os protocolos utilizados para avaliar os pacientes com doença de Parkinson foram:
• Escala de Hoehn and Yahr (H&Y) – para estabelecer o estágio da doença,
• Avaliação Clínica neurológica – para confirmação do diagnóstico do parkinson idiopático,
• Mini Mental State Examination – foi usado para avaliar a cognição,
• Functional Oral Intake Scale (FOIS) – avaliar a dieta,
• SWAL-QOL - determinar a qualidade de vida relacionada a deglutição.
• MD Anderson Dysphagia Inventory - MDADI: para avaliar como o paciente se sente em relação a sua deglutição. Este protocolo consiste em 20 itens que incluem uma avaliação global (uma única questão) e três subescalas: emocional, funcional e física.
As ferramentas utilizadas para o estabelecimento do diagnóstico foram: Videoendoscopia da deglutição e Videofluoroscopia. A amostra foi dividida em três grupos: Grupo 1: Pacientes submetidos exclusivamente ao tratamento fonoaudiológico tradicional; Grupo 2: tratamento fonoaudiológico tradicional e EENM motora e Grupo 3: tratamento fonoaudiológico tradicional e EENM sensorial.
A diferença entre o Grupo 2 e o Grupo 3 foi a intensidade da corrente, pois o aparelho de estimulação utilizado foi o vital stim e sendo assim com especificações técnicas padronizadas de fábrica com frequência fixa de 80Hz.
Participaram desse estudo 85 fonoaudiólogos. Todos os grupos receberam 13-15 sessões de tratamento da disfagia de meia hora cada, em cinco dias consecutivos por semana por um período de 3 a 5 semanas. E Todos os pacientes foram tratados em 34 dias (mediana = 23, percentil 25 = 21 e percentil 75 = 25 dias).
A escala FOIS (escala funcional de ingestão), o SWAL-QOL e o MDADI foram utilizados para avaliar a deglutição em três momentos: pré-tratamento, pós-tratamento e após 3 meses de acompanhamento.
Além disso, uma escala analógica visual, a Escala de Severidade da Disfagia (DSS), foi administrada. A partir dessa escala o paciente auto-relata sua deglutição pontuando de 0 a 100 uma única pergunta: "Como você qualifica sua ingestão hoje?"
Para este estudo participaram 109 sujeitos, destes, 21 foram excluídos por diversas razões metodológicas. Todos os participantes tinham o diagnóstico de doença de Parkinson idiopática. 88 pacientes (65 homens, 23 mulheres) completaram o período determinado de terapia, com média de idade: 68 anos ( 42 – 81 anos), miniexame do estado mental variou de 23 – 30 pontos (média 28) e escala de estadiamento da doença de Parkinson - Hoehn and Yahr variou de pacientes no estágio 1 a 4 (média 2).
Este estudo é uma das primeiras tentativas para avaliar os efeitos da Eletroestimulação neuromuscular adjunta no tratamento de pacientes com doença de Parkinson com disfagia orofaríngea. Neste ensaio clínico randomizado, todos os grupos (Grupo 1, grupo 2 e grupo 3) mostraram efeitos significativos na terapia na Escala de Severidade de Disfagia, bem como melhorias restritas no SWAL-QOL e no MDADI. No entanto, apenas pequenas diferenças não significativas entre os grupos foram encontradas não sendo possível afirmar com esta pesquisa que a eletroestimulação neuromuscular traga melhora na qualidade de vida dos pacientes com doença de Parkinson. Embora alguns aspectos metodológicos e problemas possam surgir, a maioria deles pode ser explicada por restrições éticas ou logísticas. Um estudo maior pode ser necessário para esclarecer esses achados preliminares
O FonoClub de Revista acredita ser necessário novas pesquisas avaliando além de aspectos relacionados a qualidade de vida dados obtidos de exames complementares como vídeofluoroscopia, videoendoscopia e até mesmo eletromiografia de superfície para identificar de forma mais detalhada os efeitos da eletroestimulação na deglutição nesses casos. Os pesquisadores ao discutirem seus resultados afirmam que o fato da doença de Parkinson estar relacionada a dificuldades no controle motor e não a fraqueza muscular a eletroestimulação poderia não ser benéfica nesses casos.
Saiba mais sobre os resultados e discussão desses pesquisadores acessando o artigo na íntegra.
E boa Leitura.





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